quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DISCURSO DE SAUDAÇÃO À POSSE DE IGOR FAGUNDES NO PEN CLUBE DO BRASIL

Discurso de saudação à posse de Igor Fagundes no Pen Clube do Brasil

ASTRID CABRAL

Senhor Presidente, escritor Cláudio Aguiar
Senhoras e Senhores

       A generosidade dos amigos me comove, embora às vezes também me assuste. Ao ser distinguida por especiais convites, como este de saudar um novo membro, penso quanto o afeto pode ser temerário e o coração, subestimando o juízo crítico, ultrapassa o bom senso.
       Quantos colegas do Pen, alicerçados em vastos conhecimentos teóricos, não comentariam e comemorariam melhor que eu a honra que constitui para esta instituição receber Igor Fagundes como um de seus componentes? Porém, em nome de nossa amizade, fui por ele escolhida para acolhê-lo.
       Considero a festa de agora algo relevante, pois na sucessão de momentos banais e efêmeros de que é feita a vida, torna-se fundamental que a insólita memória de uma celebração, guarde o que, imperceptível, costuma se apagar, preservando assim o finito no infinito da saudade.
       O jovem escritor, que ora toma posse como membro desta respeitável Casa, sempre me surpreendeu, conquistando minha admiração pela precoce maturidade de sua cultura, pela total fidelidade à vocação literária e, sobretudo, por seu  talento cintilante e caleidoscópico.
        Igor é poeta, ensaísta, crítico, dramaturgo, ator, jornalista, professor mestre e doutor. Tudo isso comprovado em notável quantidade de livros já publicados (7 ao todo), de numerosos trabalhos inéditos e esparsos, além de títulos obtidos em respeitáveis concursos públicos e 60 prêmios literários.
       Foi através da escritora, editora e amiga Helena Ortiz, que me chegou às mãos Sete mil tijolos e uma parede inacabada. Com invejável perspicácia, Helena já sabia que o autor era um autêntico prodígio literário. O que logo me tocou nesse livro foi o fato de constatar influências inventivamente assimiladas, demonstrando, sem subserviência, o salutar convívio com os mestres da tradição poética brasileira.
        Livros recentes de muitos jovens surgem abafados com o sotaque cabralino, xeroxes da linguagem seca, do timbre didático e visual, bem como da submissão à estrutura geométrica. São os inevitáveis epígonos do grande poeta que, de modo canhestro, homenageiam seu ídolo.
       Temos, porém, na mencionada obra de Igor Fagundes, um livro forte, inconfundível, que não consiste em aleatório depósito de versos, mero resultante de processo emocional. Eis que está construído dentro de nítido projeto de pensamento, sem excluir, no entanto, o lado afetivo nem o sensorial de discreta musicalidade e mais que eficiente imagética. Nele vigoram sempre, longe de estática rigidez, o equilíbrio do fio a prumo, a unidade da proposta, mesmo nos mínimos detalhes. Assim, por exemplo, a isonômica página inicial de dedicatória, em forma de parede verbal, feita graficamente com a cerrada enumeração de nomes próprios dos amigos e da relação de objetos essenciais à vida pessoal e social do autor.
       Ressalte-se a evidente coerência que Igor mantém entre o tema e sua execução formal, a frequente simetria de versos e estrofes, o equilíbrio entre pensar e sentir.
       Se o poema inaugural “Educação pela parede” nos remete ao quase homônimo título do livro de João Cabral Educação pela pedra, sugerindo certo parentesco literário com o mestre, convém necessariamente lembrar os significativos versos que nele surgem: A educação pela parede quer-se exata, / mas o que é do homem foge ao cálculo e à régua.
       É a lúcida percepção da complexidade do ser humano, aí aludida, que lhe permeia a voz, capacitando-a de assumir o lado afetivo. Emancipado da fria impessoalidade, o poeta incorpora as singularidades do individual e abre-se à expansão do eu lírico.
        O poeta Igor Fagundes não se restringe às coordenadas do concreto, nem à limitada visão do objetivo imediato. Eis que ele atravessa a bruta engenharia do físico, em busca da invisível “quinta parede” que repousa na casa-corpo, portanto, no reino subjetivo. No poema “Diário” ele confessa: Nunca fui de me render às cercas e em “Morada”: estabelecer laços/ romper cercas // redescobrir o abraço/desabraçar muralhas.
       Se, em alguns momentos do livro, a cotidiana casa do rotineiro dia a dia se configura, revelando o desconforto do indivíduo confinado entre 4 paredes, em outros o poeta com ela se mistura em metafórica comunhão. O poema “Epidemia” exemplifica tal simbiose e a casa surge como grande símbolo do mundo onde o ser humano, estrangulado, se debate em busca de liberdade.
       Parece-me importante destacar o conteúdo altamente simbólico de Sete mil tijolos e uma parede inacabada, já que o trabalho de construção real ou verbal (tijolos de ações ou de palavras) impulsiona o homem a erguer a parede inacabada que é a vida.
       Abarcando a ampla temática do existencial, que contempla corpo, amor e arte, o autor desse livro expõe, com segurança e contenção, o testemunho de sua experiência no mundo. Revelam tais versos a consciência crítica que orienta os verdadeiros criadores de arte, os quais sempre se empenham com fervor em busca do inalcançável acabamento.
       Igor Fagundes estreou em 2000, com os dezesseis poemas de Transversais, reunião premiada, mas por ele considerada como simples pré-estreia. Já Sete mil tijolos e uma parede inacabada é de 2004. Em 2006 publicou Por uma gênese do horizonte, a partir de poema homônimo do livro anterior, e finalmente em 2010, Zero ponto zero.
       Se, no livro de 2004, Igor se prendia ao clássico elemento pré-socrático da terra (implícito nos tijolos e na parede), é o elemento líquido o núcleo metafórico de onde Por uma gênese do horizonte emana seus versos. Isso vem assertivamente enunciado no portal do livro, onde se lê a epígrafe: Tales de Mileto, um dos sete sábios,/ disse que a água é o começo e o fim de tudo./ Dela, por composição, fazem-se todos os seres/ e, inversamente quando eles se desfazem,/ todos voltam a ela. E acrescenta o comentário de Sêneca em Temas Naturais: o mundo está apoiado sobre a água,/e que ela viaja/como navega ao modo de navio,/e que flutua movente.
       Mas, partindo das 6 estrofes alexandrinas do poema inicial Por uma gênese do horizonte, o autor vai pouco a pouco se detendo em cada uma delas, desdobrando-a em várias outras composições, que passam a compor as 6 unidades que perfazem o livro inteiro. Observa-se, portanto, como no livro anterior, a nítida consciência de uma engenharia de construção poética, o que paradoxalmente contrasta com a fluidez do elemento líquido. De modo coerente, o poema “Geografia” insiste na meta de um equilíbrio entre o excesso do pântano e a secura da caatinga, sugerindo a apolínea aurea mediocritas da medida, nem tanto ao mar nem tanto à terra.  E mais adiante, em outro poema: vá/ palavra/..../contra qualquer adjetivo que em excesso/ abale o fértil de gozar mais de um sentido.  Nos versos de “Poética lê-se a eloquente afirmativa: deixar que na medida habite o sem-/medida, o aberto que lhe sobrevém/e na constância, o que é mudança tente/o contraponto que fecunde o rente.
       Podemos afirmar que Igor Fagundes labora dentro de uma estética do rigor, criando poemas de cunho eminentemente intelectual e crítico, mas onde a imaginação ousada voa além da grade dos versos, deixando florescer a complexidade do claro e do escuro, o campo do visível e do invisível. É que ele não despreza lances surrealistas, como se vê no poema “Manchete”, onde nos fala de uma estrela atropelada e, no percurso da obra, vai se envolver sensual e apaixonadamente com o mistério da criação poética.
       Embora o eixo temático de Por uma gênese do horizonte seja de ordem mais abstrata, podendo ser ilustrado nos versos: um livro nasce/ na gênese/ do que não se alcança/eterna miragem, não se pode ignorar a constante dos relacionamentos humanos que subjaz na grande maioria dos poemas, apontando a ocorrência da subjetividade e até a busca do recíproco retorno emocional, uma vez que vê na poesia, como declarou numa entrevista, a dinâmica originária de humanização do homem.
       Ressurgem em Zero ponto zero, simultâneos à inegável originalidade da obra, os princípios estéticos que comandam a elaboração de seus livros anteriores, aquele habitual pendor matemático que rege e organiza o conjunto com lucidez e precisão.
       O poema “Ponto zero”, centro fulcral na arquitetura desse novo livro, estabelece o marco em torno do qual 31 poemas convergem em movimento centrípeto e outros 31 divergem em direção centrífuga, novidade que revoluciona a paginação tipográfica, cujos números em duplicata são precedidos ora de sinais positivos, ora de negativos. Nos versos de cunho conceitual do já citado poema, o autor alude ao limite do extremo:
menos que o zero: o sem-número, a núpcias/
de deus com si mesmo, o nada com coisa/
nenhuma, ausência fecunda, a que (a)funda/
o campo poético em campo magnético/
em magma quântico, em verso pré-ôntico/
disperso em águas sem frinchas, sem fundo/
       Enquanto isso, no poema “Zero ponto é do simples tema da minuciosa pontuação verbal que ele se ocupa, alternando, pois, a visão macroscópica com a microscópica.
       Igor Fagundes, como poucos, prescruta e navega pelos mares da abstração, enveredando pelos campos do filosófico, o que não lhe impede a percepção da concretude humana. O fato é que se debruça tanto sobre a natureza do ser, quanto sobre a natureza social e tecnológica de nossa condição. Numerosos poemas exploram o subterrâneo terreno do erótico, outros comentam o atual mundo cibernético; em “Mundois”, o flagrante contraste cultural entre Ocidente e Oriente. Alguns se concentram sobre a criatividade do artista, questões de ordem estética, outros sobre o sagrado e o profano, o imediato e o transcendente.
       Na segunda parte de Zero ponto zero, o poeta, seduzido pela perfeição matemática e levado pelo constante zelo artesanal, começa por enquadrar cada poema intitulado por algarismo, dentro de estrofes de idêntico número. No entanto, partindo de reflexões aparentemente abstratas, vai adentrando na realidade de contingentes situações existenciais e explorando a complexa multiplicidade humana. 
       Se, por um lado, o autor com frequência se impõe a disciplina das formas poéticas, valendo-se de parâmetros consagrados pela tradição e da rigorosa métrica, costuma utilizar a linguagem com absoluta liberdade, harmonizando a dicção culta com a coloquial, incluindo até mesmo a popular de caráter chulo, conforme as intrínsecas exigências de cada circunstância poética. A propósito, lembremos a composição em alexandrinos de “Vale-compras”, cabal exemplo de seu amplo e preciso domínio vocabular.
        Nota-se, além disso, grande sutileza de timbres, o tom enfático característico de certos poemas e o humorístico e irônico que predomina em outros.      O poema “Manequim” arremata com a estrofe:
em frente com teu ego pegajoso/inflado até no culto ao adiposo/que exibes quando insistes na resposta:/ ‘de um pneuzinho há sempre alguém que gosta!’.  Em “Contagem regressiva”, Igor comenta a duvidosa retórica religiosa: como insistir no capital dessa conversa?/comprar a prazo um sala-e-quarto lá no céu?/uma prisão no inferno com janela?/ao fim do mês a deus se paga um aluguel?/e não se pode escapulir das celas?/quando ao capeta uma gorgeta e...créu? E que dizer do corajoso sarcasmo de “Conferência”, onde denuncia o palavrório vazio de solenes, empolados textos acadêmicos?
       Em certos momentos Igor Fagundes demonstra espírito crítico altamente ferino, tal a zombaria com que ataca o romantismo sentimentalóide, as falsas estratégias comportamentais em prol da felicidade, os reles aspectos consumistas do mundo urbano.
       No entanto, a recorrência primordial ao longo das páginas de seu último livro, há de ser a da criação poética com sua desconcertante ambiguidade, pois segundo Igor: o infinito começa onde termina/a palavra ou o infinito termina onde começa/a palavra.

       Importante é a produção ensaística de Igor Fagundes, que já consta de 3 livros e de numerosos esparsos. O exame dela aponta, de um lado para a perspectiva original adotada na leitura dos textos, e de outro para o embasamento teórico, atualizado e pertinente, que o respalda para investigá-los até a medula, sempre com a maior competência exegética.
       Aproveito a oportunidade para externar aqui imensa gratidão pelo prefácio que, em 2006, ele preparou para meu livro Jaula, ultrapassando as mais otimistas expectativas, com um estudo profundo e abrangente. Por meio de seu luminoso texto, pude melhor perceber o que eu havia escrito levada pelos caminhos do inconsciente e da intuição. Igor Fagundes, com extrema sutileza, afirma, lembrando Deleuze, que aí escrevo não só para os leitores, mas pelos bichos. Além disso, dialogando com Guattari, percebe a ecosofia que há em meu bestiário, e capta, à luz de Agamben, a tensão que exploro entre a irrecusável semelhança e a irrecusável diferença, que, nós humanos, mantemos com os animais.
       Incentivada por tamanha generosidade, ousei no ano seguinte solicitar-lhe outro prefácio, agora para o poemário Ante-sala. Deslumbrada e enternecida, conferi novamente a comunhão poética que revelou comigo em seu arguto olhar sobre o caráter ontológico dessa obra.
       Finalmente, para minha absoluta surpresa e alegria, o livro coordenado por Helena Parente Cunha em 2011, Violência simbólica e estratégias de dominação, inclui um estudo de 30 páginas, de sua autoria, intitulado: “Fingir até doer/ Ensaio de um homem quando Astrid”.
       Contrapondo-se teatralmente à violência simbólica do mundo patriarcal – apontada por Pierre Bourdieu – Igor Fagundes, num insólito rasgo de imaginação, se propõe a interpretar o papel feminino da poeta, ou poetisa como preferem alguns, arrostando a gravidade dessa mudança de gênero. Mudança que vai ocorrer, de modo concomitante no campo do gênero literário, já que o ensaio adota um sui generis desenvolvimento híbrido, adotando o ficcional, com ponderações de cunho intimista, rejeitando a pesada armadura teórica da bibliografia e da impessoal análise, cuja desnecessária ciência chega, muitas vezes, a cometer violento desrespeito à poesia que é, antes de tudo, arte.
       Dispensando racionais ponderações contra a violência simbólica de que são vítimas as mulheres, Igor encena uma inversão dramática exemplar quando se coloca sob o domínio do feminino e, submisso, procede a uma experiência vital sob a égide poética da mulher que assume com vigor essa condição, euzinha.
       Esse trabalho vem republicado no livro 33 motivos para um crítico amar a poesia hoje, também de 2011, e que constitui um expressivo panorama poético de autores contemporâneos de várias gerações, alguns estreantes, mas com predominância dos que já se consolidaram através de fecunda produção. Em todos esses textos, de variável tamanho, ao comentar livros recentemente lançados, a qualidade da apreensão crítica de Igor é indiscutível. Ninguém mais antenado que um poeta de sua estirpe, além de scholar de alto nível, para adentrar nos meandros da linguagem polissêmica e singular de seus pares.  
       De certo modo, este livro veio para dar continuidade e afirmar a poderosa vocação do escritor para a análise e a reflexão crítica sobre a literatura, já manifesta no volume de Os poetas estão vivos, pensamento poético e poesia brasileira no século XXI, lançado em 2008 e premiado pelo Conselho Cultural da Prefeitura de Manaus.
       Ainda me lembro do entusiasmo com que meu amigo, o falecido poeta Anibal Beça, criador das Edições Muiraquitã e organizador do programa de premiações no Amazonas, me comunicou a vitória de Igor Fagundes, bem como a surpresa que manifestou ao saber que já nos conhecíamos.
       O pensamento de Manuel Antônio de Castro, que figura na obra Permanecer silêncio, lançada no final de 2011 pela editora Confraria do Vento, é seu último trabalho publicado. Trata-se aí, não de um trabalho de crítica literária como os anteriores, mas de texto em que Igor Fagundes também se revela como pensador, ao mesmo tempo em que homenageia seu grande mestre, titular de Poética da UFRJ.
         A extraordinária abertura de espírito de Manuel Antônio de Castro, diante das fundamentais questões de ordem filosófica, conquistou Igor em definitivo, fazendo dele seu devoto discípulo. Fora de enquadramentos e sem propor teorias, o emérito mestre o arrebata pelo fato de conduzir a clareza de raciocínio àquilo que está além e aquém do consagrado, bem como por incentivar a liberdade de cada um pensar o ser, sem alienar-se de si próprio ao tomar como parâmetro ideias alheias.
       Igor Fagundes vai encontrar na filosofia de Manuel de Castro princípios que coincidem com suas intuições pessoais, como aquele do predomínio da vida sobre a arte, uma vez que escrever, para nosso autor/ator, é experiência corporal.
        Assim, se Manuel de Castro diz que Poética não pertence às Letras, mas à Vida e Para se chegar à arte como questão é necessário deixar que o exercício intelectual se torne uma experienciação de vida, Igor, em recente entrevista online a Selmo Vasconcellos, declara: Só é possível escrever na medida em que algo espantosamente já ganhou e ganha corpo em nós; na medida em que vida, portanto, já se tenha exclamado e, abismando-nos, abismando-se, nos questione.
       No decurso de seu ensaio, Igor Fagundes analisa o diálogo que Manuel Antônio de Castro mantém com o ontopoético, com Martin Heidegger, com a poesia de Alberto Caieiro, com a literatura mítica de Guimarães Rosa, com a procura do originário.
       Para Igor: É na poeticidade da palavra mítica que mais propriamente se encontra o caminho, a verdade, a vida anterior aos sujeitos e aos objetos.
       Conhecedor não apenas dos mitos gregos e hebraicos, como também dos iorubanos, ele tece profunda reflexão sobre a etnocêntrica interpretação dos conceitos orun e ayê, mostrando o desacerto da teoria europeia ao lidar com eles.
       Ao tratar dos vários temas filosóficos que ocupam a obra do pensador Manuel de Castro, tais como realidade, identidade, silêncio e linguagem, natureza e cultura, e a criação artística em especial, Igor Fagundes expõe sempre o necessário lastro acadêmico para comentar com segurança essas questões fundamentais.

       Se até aqui nos detivemos sobre as contribuições do escritor nas áreas da Poesia e do Ensaio, passemos a suas incursões no terreno da Narrativa, campo de criação aludido ao final da sigla do PEN Clube.
       Em mais de um depoimento pessoal, colhido em entrevistas, nosso novo associado se refere a seus primórdios ficcionais. Escolho um deles: Quando não sabia ainda escrever, contava histórias. Para os meus pais, para os vizinhos, para os amigos, para quem quisesse as ouvir. Tentava desenhar quadrinhos, para posteriormente narrá-los. Ou inventava tramas insólitas com bonecos. Mais tarde eu passaria de narrador a ator desses enredos. E já alfabetizado: queria mesmo me tornar autor de novela, de roteiro de cinema, televisão. Tenho até hoje os manuscritos guardados.
       De certo modo, dentro dessa mesma área criadora, Igor Fagundes escreveu e dirigiu 3 peças de teatro, tendo atuado em 14 delas, tornando-se um aplaudido ator.
       Além dos 7 livros que foram aqui sumariamente inventariados, diga-se que ele é organizador e co-autor de quase 30 títulos, bem como colaborador assíduo de respeitáveis publicações e instituições de arte, filosofia e literatura no país, inclusive da Academia Brasileira de Letras.
       Ao lado da obra documentada em tinta e papel, não se pode omitir sua intensa atuação no cenário cultural e educacional carioca, implícita no entrosamento com seus pares e na militância profissional como professor de Filosofia e Estética da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Cabe lembrar que conquistou essa posição de grande destaque, graças ao título de Doutor em Poética com a originalíssima tese A incorporação --Poética na encruzilhada.
       Ao encerrar esta saudação, insisto em reiterar que é uma honra tê-lo agora tão próximo de nós, na condição de membro do Pen Clube, bem como externar a intensa alegria que sinto ao testemunhar de perto essa explosão de efervescência artística e talento, canalizados para o enriquecimento de nossa literatura e vida cultural.  É também consolador pensar que enquanto tantos poetas e escritores da minha geração já embarcaram para desconhecidas paragens, outros bem mais jovens permanecem dando continuidade a seus projetos, mantendo acesa, com muita fé, a sagrada chama da criação literária e da convivência fraterna.
        Para mim, ninguém melhor que Igor Fagundes como exemplo da força vital que anima os seres humanos e de que nos fala Manuel Antônio de Castro: A energia poética é a essência de todo agir, o sentido de todo fazer e até do não agir e do não fazer, do ser e do não ser.
      

       Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2013.

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