domingo, 4 de novembro de 2012

ASTRID CABRAL COMENTA "ZERO PONTO ZERO", DE IGOR FAGUNDES



Meu querido Igor

Na primeira leitura, entrecortada de pausas, dei-me conta de alguns aspectos fundamentais no seu livro: acentuado pendor construtivo, o que o irmana a João Cabral de Melo Neto, sem que isso configure qualquer epigonismo. Seu cerebralismo é muito pessoal. Brota de cintilante inteligência e nunca de atitude de reverência servil ou insegurança de jovem. Ninguém ousaria negar sua extraordinária maturidade.
Alguns poemas me pareceram herméticos, não à moda surrealista e sim em função de um envolvimento conceitual denso. Como ressaltou Diego Braga, em agudo prefácio, você elaborou "ensaio de teoria poética". Tudo que vem de você é muito profundo e gera poemas complexos, fortes e originais, capazes de nos sacudir. Sua dicção promove sábia aliança entre a contemporaneidade e a tradição poética devidamente assimilada. Qualquer poema do seu livro exibe rigoroso apuro, variedade e riqueza técnica.
Gostei muito dos poemas eróticos, autênticos e sutis. Idem da requintada ironia presente em um sem número de composições. O mundo urbano contemporâneo e o mundo literário sofrem contundente análise sob sua visão crítica. Reli com saudade o poema “Copacabana”. Também li com grande deleite os poemas “Destinação”, “Na cama”, “Dois”, “Quinze”, “Resenha”, “Conferência”, “Lavra”, “O fim da palavra”, “Palavrão”, “Vale-compras”, “Shopping” e “Romântico”. Pretendo retornar, com o devido vagar, à leitura desse zero nada zero por seu inerente valor literário.
Aqui fica meu carinho e a alegria de reconhecer em você um Senhor Poeta.

Astrid Cabral

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