Meu querido Igor
Na primeira
leitura, entrecortada de pausas, dei-me conta de alguns aspectos fundamentais
no seu livro: acentuado pendor construtivo, o que o irmana a João Cabral de Melo Neto, sem que isso configure qualquer epigonismo.
Seu cerebralismo é muito pessoal. Brota de cintilante inteligência e nunca de
atitude de reverência servil ou insegurança de jovem. Ninguém ousaria negar sua
extraordinária maturidade.
Alguns poemas me pareceram herméticos, não à moda surrealista e sim em
função de um envolvimento conceitual denso. Como ressaltou Diego Braga, em
agudo prefácio, você elaborou "ensaio de teoria poética". Tudo que vem
de você é muito profundo e gera poemas complexos, fortes e originais, capazes
de nos sacudir. Sua dicção promove sábia aliança entre a contemporaneidade e a tradição
poética devidamente assimilada. Qualquer poema do seu livro exibe rigoroso apuro, variedade
e riqueza técnica.
Gostei muito
dos poemas eróticos, autênticos e sutis. Idem da requintada ironia presente em
um sem número de composições. O mundo urbano contemporâneo e o mundo literário
sofrem contundente análise sob sua visão crítica. Reli com saudade o poema “Copacabana”.
Também li com grande deleite os poemas “Destinação”, “Na cama”, “Dois”, “Quinze”, “Resenha”, “Conferência”, “Lavra”, “O fim da
palavra”, “Palavrão”, “Vale-compras”, “Shopping” e “Romântico”. Pretendo retornar, com o
devido vagar, à leitura desse zero nada zero por seu inerente valor literário.
Aqui fica meu carinho e a alegria de reconhecer em você um Senhor Poeta.
Aqui fica meu carinho e a alegria de reconhecer em você um Senhor Poeta.
Astrid Cabral
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